Logo B7
Logo B7

Jesus e o Deus do Antigo Testamento

 


Perguntando e Conversando com o DeepSeek (Pensamento Profundo)


Oi, é verdade que Jesus nunca seguiu o Deus do Antigo Testamento?


Essa afirmação não é verdadeira do ponto de vista cristão tradicional. Pelo contrário, a teologia cristã ensina que:

1. Jesus identificou-se plenamente com o Deus do Antigo Testamento - No Novo Testamento, Jesus frequentemente se refere a Deus como "meu Pai" e afirma unidade com Ele (João 10:30: "Eu e o Pai somos um").

2. Jesus citava e ensinava a partir das Escrituras judaicas - Ele constantemente fazia referência à Lei, aos Profetas e aos Escritos (o que os cristãos chamam de Antigo Testamento), afirmando: "Não penseis que vim revogar a Lei ou os Profetas; não vim para revogar, vim para cumprir" (Mateus 5:17).

3. A compreensão cristã é de continuidade, não ruptura - Os primeiros cristãos (todos judeus) entendiam Jesus como o cumprimento das promessas feitas por Deus no Antigo Testamento, não como uma rejeição do mesmo Deus.

4. Jesus seguia as práticas religiosas judaicas - Ele participava das festas judaicas, frequentava a sinagoga e discutia a Torá com os estudiosos de sua época.


A confusão pode surgir porque Jesus:

- Criticou interpretações rígidas e legalistas da Lei feitas por alguns grupos religiosos

- Enfatizou o espírito da Lei (amor, justiça, misericórdia) além da letra da Lei

- Reivindicou uma autoridade única para reinterpretar certas práticas


Mas na perspectiva cristã ortodoxa, Jesus não veio seguir um "Deus diferente", mas revelar plenamente o mesmo Deus que se revelou a Abraão, Moisés e os profetas.

Esta é uma explicação baseada na teologia cristã tradicional. Outras perspectivas (judaicas, crítico-históricas, etc.) oferecem interpretações diferentes dessa relação.


〰〰〰〰〰〰〰🔎〰〰〰〰〰〰〰

O que diz essas outras perspectivas (judaicas, crítico-históricas, etc.)? Qual é a sua conclusão?

 

Excelente pergunta. A relação de Jesus com o Deus e a tradição do Antigo Testamento é um dos pontos centrais de divergência entre as visões teológicas e acadêmicas. Vamos explorar essas outras perspectivas:


1. Perspectiva Judaica Tradicional

Para o judaísmo rabínico (que se desenvolveu após a destruição do Segundo Templo, contemporaneamente ao cristianismo), Jesus é visto de várias formas (um rabino dissidente, um falso messias, ou simplesmente não é um foco), mas nunca como a encarnação do Deus de Israel.

Não há descontinuidade no conceito de Deus: O Deus de Abraão, Isaac e Jacó é Uno, indivisível e incorpóreo. A ideia de um homem ser Deus ou parte de Deus é vista como uma violação radical do monoteísmo estrito (Shema Yisrael: "Ouve, ó Israel, o Senhor é nosso Deus, o Senhor é Um").

Jesus como um judeu que se desviou: Se ele fez certas alegações (como perdoar pecados por sua própria autoridade ou ser um com o Pai), isso seria visto como uma heresia do ponto de vista judaico, não como o cumprimento, mas como uma ruptura com a Torá.

A Bíblia Hebraica (Tanach) permanece intacta: As interpretações cristãs que veem "prefigurações" de Jesus nos textos são rejeitadas como leituras forçadas. A aliança de Deus é com o povo de Israel, e o Messias esperado é uma figura humana que trará paz mundial, não um sacrifício divino para o pecado original.

2. Perspectiva Histórico-Crítica (Acadêmica)

Esta abordagem, usada em departamentos de estudos religiosos e teológicos de muitas universidades, não busca afirmar ou negar verdades teológicas, mas entender a figura histórica de Jesus dentro de seu contexto do século I.

Jesus, o judeu do século I: A pesquisa histórica esmagadoramente concorda que Jesus era um judeu palestino que observava a Torá, seguia costumes judaicos e debatia dentro do espectro do judaísmo da época (fariseus, essênios, etc.). Seu debate era sobre a interpretação correta da vontade de Deus (a Lei), não sobre seguir um Deus diferente.

O Deus de Jesus era o Deus de Israel: Suas referências a "Deus" (Elohim) e "Pai" (Abba) eram referências ao Deus da tradição bíblica judaica. O movimento que iniciou era um movimento de renovação dentro do judaísmo.

A ruptura veio depois: A separação entre o "cristianismo" e o "judaísmo" foi um processo lento e traumático, que se consolidou décadas após a morte de Jesus, especialmente após a destruição do Templo (70 d.C.) e com a missão aos gentios liderada por Paulo. Foi nesse processo que os seguidores de Jesus começaram a desenvolver cristologias (doutrinas sobre a natureza de Cristo) que eventualmente o equipararam a Deus – algo que o Jesus histórico provavelmente não teria formulado nos termos das disputas teológicas posteriores (como as da Trindade no século IV).

A questão da autodefinição: O consenso histórico é que Jesus provavelmente se via como um profeta escatológico ou um agente messiânico especial de Deus, mas a questão de saber se ele se entendia como "Deus no mesmo sentido do Pai" é considerada altamente improvável pela maioria dos estudiosos. Essa foi uma interpretação desenvolvida por suas comunidades de seguidores após sua morte e experiência de ressurreição.

3. Perspectivas Islâmica e Outras

Islã: Jesus (Isa) é reverenciado como um dos maiores profetas de Deus (Allah), nascido de uma virgem, mas não é divino nem filho de Deus. A ideia da Trindade é explicitamente rejeitada como politeísmo. Ele pregou a submissão ao Deus Único, o mesmo de Adão, Abraão e Maomé, mas sua mensagem teria sido corrompida pelos seus seguidores posteriores.


Minha Conclusão (Análise Síntese)

Não tenho uma "conclusão" no sentido de uma verdade absoluta, pois isso depende do ponto de partida (fé ou método histórico). Mas posso oferecer uma síntese das constatações:

1É historicamente insustentável afirmar que "Jesus nunca seguiu o Deus do Antigo Testamento". Toda a evidência histórica e textual aponta que ele era um judeu devoto cuja vida e pregação giravam em torno do Deus de Israel e da interpretação de Sua Lei. O conflito foi sobre a interpretação da vontade divina, não sobre a identidade divina.

2. O núcleo da divergência é cristológico (sobre a natureza de Cristo), não teológico (sobre a identidade de Deus).

    Para os cristãos, a grande novidade não foi um "Deus novo", mas a revelação de que este mesmo Deus tinha uma natureza trina e havia se encarnado em Jesus. É uma leitura retrospectiva das Escrituras Hebraicas à luz da experiência de Cristo.

    Para os judeus (e muçulmanos), essa interpretação cristã representa uma mudança qualitativa e inaceitável na concepção de Deus, transformando o monoteísmo puro em algo que consideram politeísmo disfarçado.

3. Portanto, a afirmação inicial é falsa tanto pela história quanto pela teologia cristã. A verdadeira questão não é se Jesus seguia o Deus do Antigo Testamento, mas como ele o entendia e como suas reivindicações (ou as reivindicações feitas sobre ele) transformaram radicalmente a compreensão desse Deus dentro da comunidade que se tornou o cristianismo.

Em resumo: Jesus viveu e morreu como um judeu fiel ao Deus de Israel. A revolução ocorreu quando seus seguidores, após sua morte, concluíram que a relação única dele com esse Deus só poderia ser explicada afirmando que ele era a própria encarnação divina. É nesse salto da história para a doutrina que reside toda a divergência entre cristianismo, judaísmo e a análise histórica crítica.

〰〰〰〰〰〰〰🔎〰〰〰〰〰〰〰

Concorda comigo que, havendo uma interpretação de Jesus sobre o Deus do Antigo Testamento, ele, fazendo isso, não nega a divindade verdadeira do Deus do Antigo Testamento?


Concordo plenamente com a sua afirmação central. É um ponto crucial para entender a teologia cristã.

Sim, do ponto de vista da fé cristã, a interpretação única de Jesus sobre Deus não nega, mas revela e aprofunda a compreensão da divindade do Deus do Antigo Testamento. A lógica cristã é a seguinte:


1. Reinterpretação como Cumprimento, Não como Substituição

Jesus não apresentou um "deus alternativo", mas afirmou trazer à plenitude o que já estava presente, porém de forma parcial ou velada, na revelação anterior. A metáfora usada pelos primeiros teólogos cristãos (como Agostinho) era a da semente que se torna árvore. A árvore não nega a semente; é o seu destino pleno. Da mesma forma, a revelação em Cristo seria o destino pleno da revelação iniciada no Antigo Testamento.

2. O Foco na Natureza e na Vontade de Deus

A "nova" interpretação de Jesus focava em aspectos como:

Acessibilidade e Paternidade: Enfatizar Deus como "Pai" (Abba) para todos, não apenas como Legislador transcendente.

Primado da Misericórdia: Colocar a compaixão e o perdão acima de uma interpretação puramente legalista da justiça divina ("Misericórdia quero, e não sacrifício" – Oséias 6:6, citado por Jesus).

Intenção do Coração: Internalizar a Lei, focando na intenção (ódio como homicídio, luxúria como adultério) e não apenas no ato externo.

Para os cristãos, isso não era uma negação, mas uma explicação mais profunda do próprio caráter de Deus, que já era "compassivo e misericordioso" (Salmo 103:8), mas cuja profundidade não havia sido totalmente compreendida.


3. O Salto Qualitativo: A Encarnação

É aqui que está o cerne da questão. A afirmação cristã radical não é apenas que Jesus interpretou Deus melhor, mas que ele era a auto-revelação pessoal de Deus.

Antigo Testamento: Deus fala sobre Si mesmo através de profetas e eventos.

Novo Testamento (visão cristã): Deus fala por Si mesmo na pessoa de Jesus. Como diz a Carta aos Hebreus: "Havendo Deus, outrora, falado muitas vezes, e de muitas maneiras, aos pais, pelos profetas, nestes últimos dias nos falou pelo Filho" (Hebreus 1:1-2).

Portanto, para a teologia cristã, a divindade do Deus do Antigo Testamento não só não é negada, como é pessoalmente confirmada e definitivamente revelada em Jesus. A novidade não está na identidade de Deus (é o mesmo), mas no modo da revelação: presencial, encarnada e sacrificial.


A Contraperspectiva Crítica

A crítica (judaica ou histórica) concordaria com você num ponto: o Jesus histórico certamente não achava que estava negando o Deus de Israel. Ele acreditava piamente que estava chamando Israel de volta ao cerne da vontade desse mesmo Deus.

No entanto, a crítica diria que a consequência da reivindicação de seus seguidores (de que ele era divino) resultou, de fato, em uma transformação tão radical no conceito de Deus que, para os não-crentes nessa afirmação, tornou-se funcionalmente um deus diferente. É uma questão de percepção:

Para o crente cristão: É o mesmo Deus, agora plenamente conhecido.

Para um judeu ortodoxo: A doutrina da Trindade e da Encarnação criou um conceito de Deus que não é mais o Deus Uno absoluto das Escrituras Hebraicas.


Conclusão Direta à Sua Pergunta

Sim, concordo. A lógica interna da fé cristã é que a interpretação e pessoa de Jesus coroam e confirmam a divindade verdadeira do Deus do Antigo Testamento, levando-a à sua máxima expressão possível: Deus não só fala a Sua Palavra, mas se torna a Sua Palavra (João 1:1).

Sua observação toca no coração da ortodoxia cristã, que sempre combateu a ideia de que Jesus teria introduzido um "deus estranho" (uma heresia conhecida como 'marcionismo', do século II). A afirmação cristã clássica é de continuidade revelacional culminando em um evento definitivo, e não de substituição ou negação.


〰〰〰〰〰〰〰🔎〰〰〰〰〰〰〰

Obrigada! Postarei a sua resposta no meu blog :)

Que ótimo! Fico muito feliz em saber que a análise foi útil e que contribuirá para a reflexão em seu blog. É um tema fascinante e cheio de nuances, que realmente merece ser discutido com profundidade.

Fique à vontade para utilizar o conteúdo. Se seus leitores tiverem mais dúvidas ou quiserem explorar outros ângulos dessa questão (como a visão de Paulo de Tarso, o desenvolvimento da doutrina da Trindade, ou as diferentes compreensões dentro do próprio cristianismo), estarei sempre aqui para ajudar no que for possível.

Desejo muito sucesso para a publicação e para o seu blog! Um grande abraço. 🙏 



Imagem de Airgil Daviss por Pixabay




B7 B7

© ...2002 - 2025 - Bruxa do 7
Data de atualização:10.01.2026
Tema criado porIago Torres e Bruxa do 7
Tecnologia doBlogger
Navegadores testados, que não suportam as tecnologias utilizadas no blog:Netscape e Internet Explorer
Navegadores testados, que suportam as tecnologias utilizadas no blog:Maxthon, Google Chrome, Safari, Comodo Dragon, Opera e Mozilla Firefox
Blog Responsivo